Na estenose lombar, a técnica biportal (UBE) permite descompressão bilateral por acesso unilateral com dois portais independentes, triangulação ampla e instrumental convencional. Metanálise com 450 pacientes mostrou resultados finais e complicações semelhantes aos da descompressão microscópica, com internação mais curta e alívio mais rápido da dor no pós-operatório.

Por que a biportal funciona bem na estenose

  • Dois portais independentes: ótica e instrumentos se movem separadamente, como na artroscopia, facilitando a ressecção óssea e do ligamento amarelo.
  • Instrumental convencional: brocas, curetas e pinças Kerrison aceleram a laminotomia.
  • Visão ampliada e irrigação contínua: melhor visualização do recesso lateral e do lado contralateral.
  • Descompressão bilateral por acesso unilateral: o lado oposto é alcançado por baixo do processo espinhoso, preservando a musculatura contralateral.

O que mostram os estudos

A metanálise de Lin e colaboradores reuniu seis estudos e 450 pacientes com estenose de canal lombar, comparando a laminotomia unilateral com descompressão bilateral (ULBD) por via biportal e por via microscópica. Os resultados finais e as complicações foram semelhantes. A via biportal teve internação mais curta e alívio mais rápido da dor lombar e da dor nas pernas no pós-operatório.

A curva de aprendizado deve entrar no planejamento: metanálise de cinco estudos estimou média de 37,5 casos (14 a 58) até o ponto de corte. Entre os grupos inicial e tardio, as complicações caíram de 14,3% para 4,4%.

DesfechoBiportal ULBDMicroscópica ULBD
Resultado clínico finalSemelhanteSemelhante
ComplicaçõesSemelhantesSemelhantes
Tempo de internaçãoMenorMaior
Alívio da dor no pós-operatório inicialMais rápidoMais lento
Lin et al., Frontiers in Surgery 2022: 6 estudos, 450 pacientes.

Etapas da descompressão biportal (visão geral)

  1. Posicionamento e marcação: paciente em decúbito ventral; portais marcados com fluoroscopia, alinhados à borda da lâmina do nível.
  2. Criação dos portais: portal de visão e portal de trabalho, com dissecção até a lâmina e estabelecimento do fluxo de irrigação.
  3. Laminotomia ipsilateral: ressecção da borda inferior da lâmina superior e da superior da lâmina inferior, até a inserção do ligamento amarelo.
  4. Descompressão contralateral: passagem por baixo do processo espinhoso para descomprimir o recesso oposto.
  5. Flavectomia: remoção do ligamento amarelo, preservando o plano dural.
  6. Recesso lateral e forame: liberação da raiz de cada lado, com facetectomia medial controlada.
  7. Revisão final e hemostasia: confirmação da descompressão e do saco dural pulsátil.

Para entender a construção dos portais e a escolha entre técnicas, veja quando indicar biportal ao invés de uniportal.

Cuidados específicos na estenose

A estenose é o segundo maior preditor de lesão dural em revisão com 10.578 pacientes operados por endoscopia, atrás apenas da cirurgia de revisão. O saco dural aderido ao ligamento amarelo hipertrofiado é o ponto crítico. Separe o plano com cuidado antes de ressecar e mantenha hemostasia preventiva. A mesma revisão aponta que a técnica biportal facilitou reparos durais complexos.

Na estenose, a pressa na flavectomia é inimiga do saco dural. O plano entre ligamento e dura deve ser identificado antes de qualquer ressecção.

Quando a biportal não é a melhor opção

  • Instabilidade segmentar ou espondilolistese que exige artrodese, a menos que o serviço domine a fusão assistida por endoscopia.
  • Estenoses multissegmentares extensas, em que o tempo cirúrgico pode superar o benefício.
  • Início da curva de aprendizado, em que hérnias simples devem vir antes das estenoses.

Conclusão

A biportal oferece resultados comparáveis aos da descompressão microscópica, com recuperação inicial mais rápida e menor internação. Mas exige curva de aprendizado e cuidado especial com o saco dural. A laminotomia e a descompressão contralateral podem ser treinadas passo a passo no EndoColuna Cadaverlab.

Perguntas frequentes

A biportal é tão eficaz quanto a descompressão microscópica na estenose?

Metanálise com 450 pacientes mostrou resultados finais e complicações semelhantes, com internação mais curta e alívio mais rápido da dor na técnica biportal.

É possível descomprimir os dois lados por um acesso só?

Sim. Na descompressão bilateral por acesso unilateral, o lado oposto é alcançado por baixo do processo espinhoso.

Qual o principal risco técnico da biportal na estenose?

A lesão dural, porque o saco dural pode estar aderido ao ligamento amarelo hipertrofiado. Estenose é o segundo maior preditor de lesão dural em revisão com mais de 10 mil pacientes.

Quantos casos leva para dominar a biportal?

Metanálise estimou média de 37,5 casos, com variação de 14 a 58.

Referências

  1. Lin GX, Yao ZK, Xin C, et al. A meta-analysis of clinical effects of microscopic unilateral laminectomy bilateral decompression (ULBD) versus biportal endoscopic ULBD for lumbar canal stenosis. Frontiers in Surgery, 2022;9:1002100 doi.org/10.3389/fsurg.2022.1002100
  2. Liu S-X, Chen R-S, Chen C-M, et al. Unilateral biportal endoscopic spine surgery: a meta-analysis unveiling the learning curve and clinical benefits. Frontiers in Surgery, 2024;11:1405519 doi.org/10.3389/fsurg.2024.1405519
  3. Suvithayasiri S, Kim JE, Van Isseldyk F, et al. A Systematic Review of Complication Management During Uniportal and Biportal Endoscopic Spine Surgery: Dural Tear and Bleeding. Global Spine Journal, 2026 (in press) doi.org/10.1177/21925682261429971
  4. Compagnone D, Mandelli F, Ponzo M, et al. Complications in endoscopic spine surgery: a systematic review. European Spine Journal, 2024;33(2):401-408 doi.org/10.1007/s00586-023-07891-2

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